segunda-feira, 16 de maio de 2011

Linda História dos Primórdios da CCB


Meu tataravô Felippe Pavan nasceu na Itália, cidade de Pádova no distrito de Montagnana/Urbana. Com a grande recessão daquele país, meu “nonno” buscou na imigração realizar um sonho de prosperidade, e veio ao Brasil com seus 6 irmãos e sua esposa Angela Braga Pavan. Saiu da Itália de navio rumo ao Brasil com grandes provações, haja vista que o seu filho faleceu no caminho, devido à febre presente na embarcação.

Chegou ao Brasil por volta de 1890, com 25 anos de idade. Do porto de Santos, acessou o trem sentido Estação da Luz. Chegando a São Paulo, desceu na estação da Luz, direcionando‐se a Hospedaria do Imigrante. Ficou cerca de 8 dias neste local, e através da Hospedaria conseguiu emprego em uma Serraria, chamada União, na região do Campos Elíseos, em frente a Igreja Coração de Jesus. Com o ordenado deste emprego, comprou junto com seu irmão Mateus Pavan, uma simples residência na Rua da Alfândega, nº 64 (antigo nº 4), iniciando assim a sua nova vida no Brasil.
  
Entre 1891 e 1897, Deus presenteou o seu lar com 3 filhos, sendo Elvira, Germilio Pavan e Paulo Pavan (meu bisavô).
  
Devido o seu grande esforço em sustentar a sua família, criar os seus filhos, e principalmente servir a Deus, os pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil visualizaram um grande dom de Deus em meu tataravô, ordenando o presbítero da Igreja Presbiteriana do Brás, sendo os cultos realizados na residência de meu “nonno”. Era um pequeno espaço, onde tinha alguns bancos de madeira, um órgão e um singelo púlpito para ministrar a palavra de Deus àquele povo, na grande maioria de origem italiana, devido o preconceito do povo brasileiro em relação aos italianos.
  
O tempo passou, e por volta de 1906, meu tataravô acompanhava as notícias que corriam pelo mundo, de um reavivamento em Gales e após, em Chicago (Rua Azusa). Como os presbiterianos não criam na Promessa do Espírito Santo, acreditaram que era um anúncio do Anti-Cristo, e meu “nonno” acompanhava preocupado a expansão deste movimento.
  
E, no decorrer de 4 anos, enquanto meu “nonno” cumpria os seus deveres aqui no Brasil, o Senhor operava grandes milagres e obras nos Estados Unidos, através de grandes homens como Louis Francescon, William Durhan, William Seymour, Giuseppe Beretta, entre outros.

Através de uma profecia proferida por William Durhan, Louis Francescon é incumbido de levar a mensagem divina à colônia italiana, com a promessa de Deus que no Brasil havia um grande povo para o Senhor salvar.

(Aconselho ler o Testemunho de Louis Francescon – Livreto da CCB para maiores detalhes).

Retornando de Santo Antonio da Platina, o caro irmão Francescon chegou a São Paulo, e hospedou-se na região do Brás. No sábado dia 25/06/1910, passando pela Rua Piratininga avistou um salão de barbearia e lá entrou, perguntando ao barbeiro se morava algum crente na região. O mesmo respondeu que, de frente a barbearia havia um cortiço onde morava um crente chamado Ernesto Ianone. O irmão Francescon o procurou, e conversando com ele, foram juntos a casa de meu “nonno” Felippe Pavan. Lá chegando, encontraram somente a minha tataravó Angela e algumas crianças, pois o meu “nonno” tinha ido fazer um piquenique (costume dos presbiterianos da época). Estas crianças eram Germilio Pavan e Paulo Pavan (filhos de Felippe Pavan) e também João Finotti, na época com 16 - 17 anos de idade.

Quando entraram naquela casa, o irmão Francescon disse: ‐ Que a paz de Deus esteja nesta casa. A senhora me dê licença, pois o Senhor me enviou nesta casa para anunciar a Graça de Deus. Minha “nonna” disse:  - Com todo o prazer.
  
O irmão Francescon falou da Graça de Deus para minha tataravó, e pediu licença para fazer uma oração, ressaltando que ele orava de joelhos (presbiterianos oram de pé). Minha “nonna” disse:  - Posso me ajoelhar também. Quando buscaram o Senhor em oração, o irmão Francescon orava com grande fervor e a nonna Angela sentia uma alegria tão grande, chorava como criança. Quando levantaram da oração, perguntou quando tinha culto na igreja. Foi-lhe posicionado que aquela noite haveria um culto, e prometeu que retornaria a noite.
  
Quando foi mais à tarde, meu nonno retornou do piquenique, e nonna Angela contou‐lhe as boas novas, dizendo que um servo de Deus dos EUA veio ao Brasil para anunciar a Graça de Deus para nós, e retornará a noite para o culto.

Quando chegou a hora do culto, o irmão Francescon sentou‐se no último banco. Foi quando nonna Angela o enxergou, e avisou o meu nonno Felippe que aquele era o homem que tinha estado em casa. Sendo assim, o nonno Felippe chamou o irmão Francescon à frente e falou assim: - O senhor pode falar tudo o que sente, tem toda a liberdade. Sendo assim, o Senhor encheu o irmão Francescon de força e ele falava de salvação e como o Senhor o tinha enviado aquele país. Foi, segundo relatos de meus descendentes, um culto maravilhoso.
  
Findado o culto, o irmão Francescon perguntou ao meu nonno Felippe quando teria culto novamente, e devido às maravilhas que sentiram seria feito outro culto amanhã. Assim foi feito por 3 dias seguidos, até que no 3º dia o irmão Francescon pregou a palavra em Atos dos Apóstolos 2, e anunciava a promessa do Espírito Santo. Os presbiterianos não criam neste dom, e cantavam um hino “TEU ESPIRITO DERRAMA SOBRE NÓS”, vindo eles a
relatarem que o Espírito Santo já estava sobre eles. Expulsaram o irmão Francescon de forma violenta, sendo que o mesmo pegou o seu guarda-chuva e saiu dizendo: Que a paz de Deus esteja convosco.

No dia seguinte, o pastor Modesto Carvalhosa teve uma reunião com meu nonno Felippe Pavan, dizendo que não era para conceder liberdade ao Francescon, pois ele era um falso profeta. Sendo assim, meu nonno Felippe disse que se era um falso profeta, não teria mais liberdade.
  

Modesto Carvalhosa



No outro culto, o irmão Francescon retornou e meu nonno Felippe o procurou, dizendo que ele podia se reunir com eles, mas que não tinha mais liberdade, pois era um falso profeta. O irmão Francescon disse que não era um falso profeta, que não tinha vindo ao Brasil por sua vontade, ele deixou a fábrica de ladrilhos e sua família, a mandado de Deus. E foi-se embora! Quando o irmão Francescon saiu, o tio do nosso irmão João Finotti (Santo Pontalti e Isabela Pontalti) saíram a encontro do irmão Francescon e lhe disse: O irmão vem fazer oração na minha casa. O irmão Francescon disse: Se Deus quiser, irei! Começaram a fazer os cultos na casa do irmão Santo Pontalti, por 15 dias.

Minha nonna Angela largava o culto da Presbiteriana para estar junto aos irmãos nesta casa.
  
No momento em que o meu nonno rejeitou o irmão Francescon, entrou nele uma angústia de morte. Não tinha mais prazer em viver, não tinha forças para levantar e trabalhar, não conseguia se alimentar, e dizia para minha nonna: - Angela, o que será que fiz para não ter mais prazer neste mundo, sinto uma angústia muito grande.

E, um dia em oração de madrugada, apareceu um anjo (nonno Felippe descrevia‐o, dizendo que usava vestes de príncipe), e o chamou pelo nome, dizendo: Felippe, porque rejeitaste aquele meu servo? Eu o mandei aqui no Brasil, porque aqui tem um grande povo para salvar. Se você obedecer será bem para a tua alma e terás a vida eterna, senão naquele dia o fogo estará preparado para aquele que não obedecer ao Senhor Deus. E mostrava para ele o fogo! Naquele momento, o nonno Felippe começou pedir perdão a Deus e chorava muito.
  
Quando amanheceu, pediu para nonna Angela que fosse ao encontro do irmão Francescon, dizendo que queria conversar com ele. A nonna Angela disse: Você o mandou embora e agora quer que eu o chame? Quando ela o chamou, o irmão Francescon ficou muito contente, e disse: Louvado seja Deus! Quando o Senhor quer operar, homem nenhum pode impedir a obra de Deus.

Quando chegou à casa do nonno Felippe, o mesmo abraçou‐o e pediu perdão, dizendo: Ah, meu irmão. Agora sei que é um enviado de Deus, eu não sabia! Pensei que era outra doutrina. E ao anoitecer, no culto da Presbiteriana, meu nonno anunciou: Os que querem obedecer a Deus fiquem conosco e os que não, podem levar tudo embora

porque aqui vamos dar continuidade à obra de Deus, dentro de sua doutrina. Dos que ficaram, totalizou-se 20 almas, inclusive a família do irmão João Finotti.
  
Os pastores da Igreja Presbiteriana conseguiram uma carroça, levaram os bancos, o púlpito e o órgão embora, mas como o nonno Felippe trabalhava em uma Serraria, construiu os bancos e a tribuna para acomodar os servos de Deus. Eram feitos 3 cultos por semana na Rua da Alfândega – Brás, e nos outros dias eram feitos ajuntamentos de evangelização nas casas dos outros irmãos. No domingo à tarde, faziam cultos no Jardim da Luz, na Praça Antonio Prado, na Água Branca (próximo da vidraçaria Saint-Gobain) e Lapa, onde ficaram conhecidas as famílias Mazzei, Peruchi e Piro.
  
Depois de 2 meses, no mês de Agosto de 1910, foi realizado o 1º batismo, no rio Tietê (Ponte Grande), onde foram batizados pelo irmão Louis Francescon, o nonno Felippe Pavan / Angela Pavan / Germilio Pavan / Paulo Pavan, Esterina Finotti / João Finotti / Santo Pontalti / Isabela Pontalti, além de irmãos convertidos na época e o irmão Ernesto Ianone.
  
No final de Agosto, o Senhor mostrou ao irmão Francescon que deveria ir ao Canal do Panamá, e sentia em seu coração ungir o nonno Felippe como ancião. Porém, ele não tinha a promessa do Espírito Santo com evidência de novas línguas, e não poderia ordená-lo. Buscaram a Deus em oração, mas o nonno Felippe não era selado. Sendo assim, o irmão Francescon partiu ao porto de Santos, e lá chegando recebeu uma notícia inesperada, pois o navio postergou a partida para depois de 8 dias. Nisto, embarcou no trem novamente para retornar a São Paulo. Só que, enquanto o irmão Francescon passava por todas estas coisas, o nonno Felippe orava constantemente pedindo o selo da promessa, e aconteceu de madrugada. Dormiu pedindo a Deus, acordou falando em línguas, sendo ele o 1º a ser selado em terras brasileiras.

Quando o irmão Francescon retornou, encontrou o povo em grande alegria e descobriu que o Senhor tinha selado o nonno Felippe e o irmão Ernesto Ianone. Não teve dúvidas! No dia 04/09/1910 ordenou o nonno Felippe Pavan, como o 1º ancião no Brasil, e depois foram juntos ordenar o irmão Ernesto Ianone. Ficou o tempo solicitado pelo porto, e o irmão Francescon partiu e foi para o Panamá, deixando aqui os 2 obreiros para zelar, evangelizar e prosperar esta obra de fé.

Algum tempo depois, o irmão Ernesto Ianone começou a dividir a igreja, com profecias falsas e ajuntamentos fora da doutrina. Conseguiu conquistar alguns irmãos para congregarem com ele, e os demais irmãos ficaram congregando com o nonno Felippe. Sabendo disto, o irmão Francescon enviou o irmão Agostinho Lencioni, que ficou 6 meses hospedado na casa de meu nonno Felippe, unindo o povo novamente, reconciliando e trazendo paz para a obra.

Como o ministério não estava convencido da aceitação do irmão Ernesto Ianone neste assunto, decidiram por ordenar o irmão Gennaro Pitta como ancião, no dia 01/01/1911. Este servo de Deus muito auxiliou o nonno Felippe no atendimento da obra. Infelizmente, faleceu pouco tempo depois, em 1920 (vide relato divulgado na internet, escrito pelo filho do nonno Felippe Germilio Pavan, onde conta sobre um batismo feito pelo irmão Gennaro na Água Branca).
  
Em 1913, o irmão Francescon convidou o nonno Felippe para acompanhá-lo em uma missão na Vila Prudente.

Ficaram hospedados em um casarão chamado Fortaleza, a convite da família Falchi, proprietários de uma fábrica de chocolates muito conhecida da época.
  
A população local começou a conhecer a congregação como "os evangelistas", e as duas primeiras famílias do bairro que se converteram foram a de Luiz Pedroso, primeiro ancião da Vila Prudente e a família de Miguel Sant'Anna, com seus filhos e amigos íntimos, como Candinho Rinco (que veio a ser ancião 2 décadas depois), Angelim, Olynto Rinco, Antonio João, José e Alexandre Rinco.

Só que, na região havia grande influência de uma denominação primitiva, e o líder desta igreja na região (Sr. Faustino) perseguia muito os servos de Deus. Tentou de diversas maneiras impedir o crescimento da obra, e não obteve sucesso. Como última cartada, pagou (segundo relatos dos primitivos, foi comprovado tal ordem) para 40 homens espancarem os irmãos ao término do culto. Era feito, entre o nonno Felippe e o irmão Ernesto Ianone, um rodízio de 15 dias. E quando espalhou o boato que iriam bater nos crentes, o irmão Ernesto se negou a ir, procurou o nonno Felippe e esclareceu isto. O nonno Felippe disse que não fazia mal, e que ele iria se Deus quisesse. E foi!

Chamou o seu filho Paulo Pavan, meu bisavô, dizendo a ele que iriam passar uma grande tribulação, mas que o Senhor estava com eles.

Terminou o culto, a irmandade foi em direção ao bonde, que transportava a irmandade de volta para casa, e o local era muito descampado, tinha muito mato. Aguardaram em um ponto, pararam o bonde e falaram: Quem é crente desce do bonde. Os irmãos desceram, e começaram a dar pauladas, chutes e socos nos irmãos. Quando viram o nonno Felippe, disseram que era ele que queriam “pegar”. O cercaram e perguntaram: O senhor volta aqui outra vez? Ele disse: Se Deus mandar, eu volto! E batiam muito nele. Faziam a pergunta novamente, e ele dizia: Se Deus mandar, eu volto! E assim foram feitas muitas perguntas, e muitas pauladas foram dadas no servo de Deus.

Quando viram que não adiantava mais perguntar, pegaram o nonno Felippe pelos braços, subiram em um morro e o jogaram, sem piedade. Nisto, seu corpo ficou muito roxo, em sua cabeça abriu-se uma brecha muito funda, que saia sangue sem parar. Quando o nonno Felippe não conseguia mais levantar, perguntaram para ele: O senhor volta aqui outra vez? Ele disse: Se Deus mandar, eu volto!

O meu bisavô Paulo, que na época tinha 17 anos, estava escondido junto ao irmão Geremias de Peta, esperando soltarem o nonno Felippe para o ajudarem a carregar de volta para casa. E assim o fizeram. Quando chegaram, a nonna Angela assustou de ver o estado do nonno Felippe, com um lenço enrolado na cabeça todo ensangüentado, e ficou muito atemorizada. O nonno Felippe disse para não fazer rumor, e pediu que entrassem. Assim, foram buscar o Senhor em oração e o Senhor proferiu na boca do nonno Felippe que, aqueles que tocaram na menina dos olhos do Senhor, sofreriam grandes conseqüências destes atos. Levantaram da oração, o nonno Felippe mal conseguiu deitar na cama, devido às dores que sentia. No dia seguinte, foi visitado por um médico, e contando o que sucedeu, o médico queria processar estes homens, mas o nonno impediu, dizendo que o advogado dele é Jesus Cristo. (Depois de alguns anos, o irmão Dirceu, casado com a filha do nonno Felippe Pavan, irmã Rebeca, foi evangelizar na região da Vila Prudente, e relatou este ocorrido. Lá estava o genro de um dos homens que bateram no servo de Deus, e disse que o seu sogro tinha uma ferida que não cicatrizava, e completou dizendo que entre eles, uns ficaram loucos, outros morreram). Infelizmente, não tiveram este privilégio de serem salvos pelo Senhor.

Quando chegou na terça‐feira, o Senhor falou ao nonno Felippe: Vai se reunir com os teus conservos na Lapa. Ele, com muito custo, sentou-se na cama e chamou a nonna Angela, pedindo que aprontasse a sua roupa, que ele tomaria um banho, pois o Senhor o mandava na Lapa. Chamou meu bisavô Paulo, dizendo para se arrumar que iriam juntos na redonança.

Depois de muita dificuldade, chegaram à redonança da Lapa, e a irmandade ficou muito contente em vê-lo, e o irmão Francescon presidiu o culto. Quando chegou a hora da palavra, o irmão Francescon ofereceu a palavra ao nonno Felippe, perguntando se tinha a palavra. O nonno Felippe respondeu que sim, pediu ajuda aos irmãos para subir ao púlpito e fez a vontade de Deus. Segundo as palavras de um primitivo da época, o Senhor operou grandes obras, inclusive no nonno Felippe, libertando‐o completamente de todas as dores. Este primitivo relatou que na pregação da palavra, o nonno Felippe era erguido do chão (segundo primitivos da época). Neste momento, o Senhor selou com a Promessa do Espírito Santo o seu filho Paulo, meu bisavô. Neste dia, estava presente o irmão Miguel Spina no colo de sua mãe, com 3 anos de idade.
  
Em 1915, conforme relatei no início deste testemunho, o nonno Felippe tinha comprado a casa na Rua da Alfândega junto com seu irmão carnal (não foi crente). Este, agindo de má fé, vendeu a casa sem o consentimento do nonno Felippe e fugiu para o sul do país. Ao nonno Felippe, coube esquivar-se de escândalos e sair da casa. O irmão Caetano D’ Angelo o abrigou em sua casa por 15 dias, e os cultos passaram a ser na Rua Anhaia nº 85, na esquina da Rua Tenente Pena. Depois, Deus preparou de morar na casa do irmão Gregório Spina, e os cultos passaram a ser realizados na Rua da Graça, 159.
  
Derramando muito suor, conseguiu adquirir uma casa na Rua Tenente Pena, 30. Ali criou os seus filhos, realizou os cultos junto à irmandade e manteve-se firme até o Senhor o buscar para o Seu Reino de Glória.

A partir deste ponto, já havia evangelizado outras regiões, tais como Brás, Bom Retiro, Lapa, Vila Prudente, Água Branca, Santo André, Votorantim, Sorocaba, entre outros bairros e cidades. Inclusive, referente às famílias convertidas de Santo André (principalmente família Zanetti), o nonno Felippe realizou um batismo em 1916, na Ponte Pequena / São Paulo, batizando o irmão Antonio Zanetti, José Zanetti, entre outros. Depois, realizou um batismo em Santo André, em 1917 no rio Tamanduateí (defronte a atual empresa Rhodia) e foram muitos outros convertidos pelo Senhor.

Em cerca de 1917 o nonno Felippe estava indo congregar na Congregação Cristã da Lapa, junto com o jovem irmão João Corazza (que veio a ser Cooperador da Vila Pompéia). Chovia muito forte, e tiveram de aguardar embaixo de um toldo de cobertura. A chuva não acalmava, e o nonno Felippe Pavan disse ao irmão João Corazza que tinha de atender o culto, e que fossem na chuva mesmo. O irmão Corazza disse que iam se molhar por completo. O nonno Felippe profetizou dizendo que, se o jovem Corazza cresse, nenhuma gota cairia sobre eles. Quando chegaram ao culto, o nonno Felippe foi atender o culto completamente seco, e o irmão Corazza ficou encharcado na entrada da igreja. Esta obra que Deus operou era testificada pelo próprio irmão João Corazza nos cultos.
Quando foi em 1918, o nonno Felippe tinha 53 anos de idade. Já possuía 10 filhos e já congregavam muitas famílias junto dele. Ainda trabalhava na Serraria União, numa máquina de corte. Infelizmente, um dia cortando tábuas de madeira, ocorreu um acidente e escapando-se uma tábua, bateu contra o seu estômago. Isto muito o fez sofrer, pois não conseguia se alimentar, sentia fortes dores no peito. Mas, quando na hora da palavra o Senhor o usava com grande fervor.

Quando foi uma quarta-feira, trabalhando na Serraria, sentiu que o Senhor o recolheria. Baseado nisto, conversou com seus colegas de trabalho, falando que logo o Senhor o recolheria, e que seria um grande prazer que eles fossem ao funeral. Eles estranharam, mas confirmaram que iriam. Quando o nonno Felippe chegou em casa, já não se sentia bem. Quando foi de madrugada, deu uma crise de dor muito forte, e disse para a nonna Angela que chamasse os filhos para orarem a Deus por ele. Assim fizeram, se ajoelharam de frente a cama e quando estavam orando a nonna Angela viu uma nuvem branca que o cobriu. Naquela hora, o Senhor falou para o nonno Felippe que amanhã, às 12h30 venho te recolher. Isto foi numa sexta-feira, dia 04/07/1918.

No amanhecer do dia 05/07/1918, sábado, o nonno Felippe pediu para a nonna Angela que preparasse sua roupa, expressou desejo de se arrumar, para esperar em comunhão pelo Senhor. Logo em seguida, chegou a sua casa uma irmã chamada Beatriz, e o nonno Felippe pediu que ela anunciasse aos irmãos da igreja que viessem todos se reunir ali, pois o Senhor o viria buscar às 12h30. A irmã assim fez, convocou a todos e quando chegaram, viram o nonno Felippe sentado na sala, lendo a palavra de Deus. Conversaram bastante sobre a obra de Deus, e quando chegou 12h20, o nonno Felippe falou: Vamos buscar ao Senhor em oração, pois logo o Senhor vem me recolher. Puseram-se em oração, e 12h30 o Senhor o recolheu para a Sua Glória. Estavam todos em prantos, principalmente nonna Ângela e os filhos, e uma vizinha que morava pertinho (não era serva de Deus) entrou na sala e disse para a nonna Ângela não chorar, pois o Seu Felippe não tinha morrido. Foi uma vertigem que deu nele! Começou a esfregar em seus braços vinagre, e de repente o nonno Felippe retornou, dizendo a ela: Arrependa-te! Busca a salvação, porque a minha hora já é chegada. E tornou a falecer, de forma definitiva rumo a Eternidade com o Senhor. Isto foi, além de meus descendentes, testificado, relatado e contado por muitos irmãos primitivos da época, que estavam naquela casa.
  
Foi considerado morto às 13h pelo Dr. José Rebello Neto, causa da morte síncope cardíaca, sendo enterrado no Cemitério do Araçá no dia 06/07/1918, sob ajuda financeira do servo de Deus Antonio Cardoso Gouveia, que seria ordenado, décadas depois, para diácono do Bom Retiro.

Antonio Cardoso Gouveia

 Todos os filhos do nonno Felippe foram fiéis ao Senhor até a morte, e a sua descendência até os dias atuais servem a Deus, por misericórdia, da qual também faço parte, sendo eu a 5ª geração da família dentro da Congregação Cristã no Brasil, esperando no retorno do Senhor Jesus. Deus vos abençoe!

Vosso irmão na fé, Caio César Barcala

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